No segundo dia de março, acordei às 6 da manhã. Comecei a arrumar a mochila pra ir pra faculdade.
Incluí nela escova-de-dentes, perfume, desodorante, trocas de roupa, camisetas estampadas com borboletas, e um envelope azul que eu tenho guardado escondido dentro de um livro no fundo do guarda-roupas, desde então. Nele, um papel com os dizeres:

Da faculdade, juntei meu amigo Leonardo Tadashi e fomos pra casa dele, encontrar nossa terceira companheira, Fernanda Tiemi (irmã dele) para irmos para a fila o mais cedo possível pegarmos um bom lugar. Em teoria, nosso plano era chegar às 13:00. Mas nosso ônibus demorou DE-MAIS e chegamos por volta das 14:15. No ônibus, por sinal, encontramos uma galera que também ia ao show mas, pasmem, vinham de MANAUS só pra isso.
Uma vez na fila, deu pra sentar e socializar com a galera. Duas meninas super simpáticas se juntaram a nós, Raiza e (esse texto será editado assim que eu descobrir qual era o nome da outra). Coincidentemente, a Raiza era bixete da minha faculdade (não no mesmo curso).
Nossas pernas logo começaram a doer. Era muito tempo em pé já pra agüentar. Então começamos a caçar um jeitinho de sentar. E, quando todo mundo conseguiu se acomodar, começou o tempo de espera. Uma das garotas via o jogo da seleção pelo celular e a gente ia falando sobre qualquer coisa, esperando a chuva começar a cair (tive que comprar uma capa de chuva por R$10, que acabei nem usando, porque não choveu).

Na seqüência, a maravilhosa In My Place. Precisava disso não gente! Precisava sim, claro. Coisa mais linda do universo! No finzinho, tentamos o parabéns, mas não saiu muito bom. Tentamos em inglês e português, mas a galera não acertou o ritmo e a banda acabou não ouvindo e continuando o show.
Depois Glass of Water, 42 (FODA!) e Fix You (LINDA DEMAIS!). E aí um acorde muito conhecido por mim. Os globos gigantes do palco se moveram e se acenderam com imagens. Um dos momentos mais esperados do show pelo Iurizinho. Minha segunda música favorita no Viva La Vida: Strawberry Swing. Impecável. As loucuras do Chris, caindo, pulando, correndo. A voz linda do Will na bateria. Guy e Jonny mandando MUITO bem nas cordas. No fim, pediu pra todos acenderem os celulares e, ao olhar pra trás, aquele mar de luzinhas quadradas acesas foi lindo demais!E aí, então, eles vieram pro palco anexo perto da gente. E deu pra vê-los, com detalhes. Bem de perto. O parêntese vai pro fato do Chris ser REALMENTE tão bonito quanto parece pelas fotos. Uma beleza serena, sabe? Pacífica. Dá vontade de conversar horas sem parar. Cantaram God Put a Smile Upon Your Face, Talk e The Hardest Part. Depois rolou Postcards From Far Away e, enfim, Viva la Vida. São Paulo queria o ‘Oooohhh-oooooohhh’ a noite toda, foi perfeito. Todos em sincronia, gritando com toda a força. Emocionou qualquer um.
E aí, Lost!. Minha favorita. A melhor vibe. A melhor batida. No ritmo do meu coração. Perdi o controle do meu corpo. Dancei mesmo. Joguei os braços pra cima e deixei o som me levar. I just got lost! Até então, o melhor momento do show pra mim.
Logo depois de Lost, foram pro palquinho anexo bem longe da gente... Tivemos que ver o show pelo telão. E aí, cantaram o que as meninas perto de nós esperavam mais que tudo: Shiver. Foi TÃO lindo. Sério. Lindo demais. É obviamente uma música maravilhosa. Mas ao vivo foi outra coisa. Depois, seguiram com um, finalmente bom, ‘Parabéns’ EM PORTUGUES! Cantado pelo Will! Foi muito fofo, sério. Depois seguiu com Death Will Never Conquer e a inédita Dom Quixote (que talvez se chame Spanish Rain).
Aí uma versão remixada de Viva La Vida começou a tocar, enquanto a banda retomava suas posições no palco. Depois uma ótima Politk, muito bem apresentada pela banda, com direito a uma mini-chuvinha de borboletas, que deve ter disparado sem querer. Peguei minha primeira nessa hora.
E aí o momento mais esperado do show: Lovers in Japan. A famosa chuva gigante de borboletas. A cena mais linda em show ao vivo dos últimos tempos. Maravilhoso. A música por si só já é linda demais. Mas a ajuda do céu coalhado de borboletas de papel coloridas foi suficiente pra qualquer abrir um sorriso gigantesco.
E então, Death and All His Friends nos atingiu e entendemos que o fim estava muito próximo. A banda terminou a canção, se juntou, agradeceu e deixaram o palco.
Voltaram minutos depois, com outras roupas. E Chris avisou “na saída, todos receberão uma cópia do cd Left-Right-Left-Right-Left que nós gravamos durante a turnê, como um presente pra vocês!”. Eu, que sou consumidor compulsivo de CDs, entrei em êxtase. Até onde eu sabia, no Rio não havia sido distribuído, então eu tinha poucas esperanças de ganhar um também.
E aí, a introdução de piano mais triste da banda, marcou a execução de The Scientist. Chorei fácil. Mas não tanto quanto o Léo... Sério, acho que ele nem conseguiu ver o show nessa parte. Todos cantando juntos, em uma só voz o ‘nobody said it was easy’. Lindo demais, sem palavras. E, pra encerrar, Life in Technicolor II (a que apresenta vocal) e uma LINDA queima de fogos coloridos encerrou o show, com um grande VIVA multicolorido estampando o telão.
A dor da despedida. A realidade do fim. A compreensão de que, possivelmente, aquele tinha sido um dos momentos mais incríveis da minha vida até então. Vai ser bem difícil um show me agradar, agora que eu tenho esse como fonte de comparação.
Depois, voltar pra casa no meio da galera deixando o estádio, pegar minha cópia do CD, achar mais algumas borboletas, e tentar acreditar que tinha mesmo acontecido. Quatro meses de espera e ansiedade. Um zilhão de mudanças na minha vida nesse meio tempo. Som inesquecível.
Inesquecível.

I’m going back to the stars.
Mais relatos dos meus companheiros de show no Ensaios e Teorias às Avessas e no Blog da Tiemi.
Fotos: M. Rossi.

